Série em Série: Precisamos falar sobre “The Walking Dead”

Por em sexta-feira, 10 março 2017
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Em 2010, a ideia de adaptar uma história em quadrinhos para a televisão parecia promissora, principalmente pelo fato de se tratar de uma HQ que tem zumbi como temática. Na televisão, raramente víamos algo com isso e The Walking Dead foi pioneira, influenciando inclusive uma onda de zumbis na cultura pop.

Nas primeiras temporadas, o apocalipse zumbi era o cenário da série, os personagens se viam perdidos em um mundo onde os recursos eram escassos e as pessoas que sobreviveram ao ataque não davam muita brecha. Nós acompanhávamos Rick e seus amigos em busca de comida e abrigo. Ficava fácil se identificar com os companheiros de Rick na sua jornada. Daryl, Glenn, Maggie, Carol e outros, faziam parte de um único núcleo, onde a identificação com os personagens ficava fácil e os espectadores escolhiam os seus favoritos e aqueles que menos gostavam.

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Desde a temporada em que o Governador entrou, a história deixou de ser sobre Rick e seus amigos e virou algo sobre a humanidade. O arco da prisão foi muito bom, as questões como a liderança de Rick e Governador foram colocadas à prova, as relações humanas também eram exploradas pelos roteiristas. Um exemplo disso, é o destaque que o casal Maggie e Glenn ganhou neste período. Nós, espectadores, aprendemos a amar este casal, durante o período na prisão.

A partir do fim deste ciclo, a série começou a desandar. The Walking Dead passou a seguir uma espécie de receita de bolo. As temporadas começavam a todo o vapor, tinham um meio pouco chamativo e no final traziam o espectador de volta, com uma cena intrigante ou um possível assassinato, que fariam com que todos ligassem a TV quando a série voltasse. Até aí, não temos muitos problemas, muitas séries seguem esta receita e conseguem prender o público. Apesar deste fato demonstrar uma deficiência nos roteiros.

Um exemplo disso, são as séries criadas por Shonda Rimes. A escritora americana é uma das melhores em desenvolver personagens intrigantes e envolver o espectador. Porém, na hora de amarrar o roteiro e finalizar uma temporada ou um episódio, Shonda sempre acaba apelando para algo extraordinário. Simplesmente para te prender. No Brasil, Shonda seria uma excelente escritora de novelas (não estou desmerecendo ninguém).

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The Walking Dead está virando um novelão de primeira, com uma temática de zumbi. A série apresentou quatro novos grupos e líderes diferentes. Mas ao invés de explorarem estas formas de liderança e mostrar como funciona cada comunidade, ficam enrolando com episódios fracos e mal estruturados. Um exemplo disso, é o episódio onde Rick e Michonne vão atrás de armas. Os 45 minutos da série ficaram focados nisso. Ao invés de simplesmente desenvolver uma explicação mais bem elaborada e encurtar este tipo de acontecimento, os roteiristas preferiram mostrar uma ação completamente desnecessária, voltada apenas para fan service.

A série é muito boa, tem seus pontos fortes, mas o roteiro, sem dúvidas vem sendo uma pedra no sapato e ao que tudo indica, teremos mais temporadas desses mesmos acontecimentos. The Walking Dead tinha tudo para figurar entre grandes séries da história, mas infelizmente, parece estar se afastando posto.

Essa coluna tem apenas um propósito: falar de séries. Porém, sempre com uma análise e uma visão diferente do normal, assim como o autor da própria. Essa coluna vai ao ar todas as sextas-feiras.

Futuro jornalista e eterno inconformado, Pedro Monteiro é um apaixonado pelo mundo pop, principalmente por histórias em quadrinhos. Fã de Woody Allen e de ficção científica, é capaz de trocar qualquer programa por um bom filme ou uma longa maratona de série.

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