Quem precisa do amor de outro, quando se tem amor próprio?

Por em segunda-feira, 13 fevereiro 2017
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A vida não é um passeio no parque, numa tarde de céu aberto, com borboletas voando sobre sua cabeça. A vida, meus amigos, é uma luta do Rocky Balboa, onde você leva uma enxurrada de porrada e aguenta até o último round pra vencer seu oponente. E quando se trata de amor e relacionamentos, a coisa pode ficar realmente “violenta” pra alguns.

O ser humano se acostumou a ter a constante presença de outro na sua vida – e isso acontece desde que nascemos, quando por meses somos segurados nos braços carinhosos dos nossos pais, alimentados e cuidados. Quando atingimos uma certa idade, somos apresentados a um novo mundo: a conturbada área do coração e dos sentimentos. Pelo menos pra alguns, pois tem gente que carrega um iceberg no lugar. Esses daí nasceram com uma dádiva e têm muito o que agradecer. Mas se você não teve essa sorte, é provável que desde a adolescência tenha juntado um belo histórico de decepções.

Essa transição em nossas vidas – sem querer dar uma de Freud – nada mais é do que uma tentativa de substituir a atenção que tivemos quando crianças. É claro que novos sentimentos surgem, como o desejo e a atração. Mas no fim das contas, o que você quer mesmo é alguém que possa, diretamente ou não, cuidar de você. Ou melhor, do seu doce e gentil coraçãozinho. E é aí que mora o perigo.

Nem todo mundo está querendo cuidar de você. Na verdade, quase ninguém. Especialmente hoje com as relações cada vez mais líquidas. As opções são tantas que, ninguém quer mais perder tempo conhecendo ninguém de verdade. Se tornou um padrão existencial criar um estereótipo de perfeição e trocar qualquer mínima dificuldade pela próxima opção da lista. E pra quem vai contra essa corrente, as chances de cair do cavalo aumentam gradativamente. Aí vem a grande questão: “por onde anda o amor”. Eu costumo dizer que ele foi extraviado no correio, e pra onde quer que tenha ido, por lá ficou.

A falta de afeto e cumplicidade entre as pessoas, de um modo geral, acaba se tornando um fator degradante pro nosso coração. E por consequência, pra nossa autoestima. É muito mais comum que outras pessoas, mesmo que indiretamente, te tragam para baixo ao invés de te levantarem – exceto, talvez, sua família e seus amigos. Mas o erro não está nas outras pessoas, mas em você mesmo, por depender delas para ter uma felicidade que compete única e exclusivamente a você.

Amor próprio

A grande verdade é que não precisamos de ninguém quando aprendemos a nos amar e a reconhecer o nosso próprio valor. E não há pessoa melhor pra evitar decepções do que ter a você mesmo, que nunca, jamais vai te abandonar. E quando você aprende a se amar, acreditem, um novo mundo se abre à sua frente.

Já sofri uma – não tão pequena – parcela de rejeições e decepções. E sempre que isso acontece, fico com pena não de mim mesmo, mas da outra pessoa, que perdeu uma ótima oportunidade de viver uma grande experiência. E as que viveram, eu sei, guardam em algum lugar uma lembrança que dificilmente vai ser apagada. Embora isso sirva de combustível, não é a única forma de reconhecer as suas qualidades. Olhar pra dentro é sempre o mais importante. Vão existir dias em que você se olha no espelho e não gosta do que vê. E haverá muitos outros em que você gostaria de lamber sua própria face, de tão incrível, maravilhoso e incomparável que você é. Eu mesmo não sou o biscoito (ou bolacha) com a melhor embalagem, mas sei que venho com um dos melhores recheios. E descobrir o que você tem a oferecer ao mundo é a parte mais importante da equação.

É disso que precisamos: encontrar em nós mesmos o que vale a pena ter por perto. E se não houver nada, você tem uma vida pela frente para evoluir e melhorar, até chegar ao ponto de você estar satisfeito em ser quem você é. Se houver alguém que queira compartilhar isso, ótimo. Se não, você continuará sendo essa pessoa maravilhosa de qualquer jeito. <3

Trabalha com a mente em 220 volts, e consegue pensar em cinco ou mais coisas simultaneamente – o tempo todo. Idealizador do Afronte. Amante incondicional de tequila, mas não dispensa a boa e velha roda de cerveja com os amigos. Admirador de todo tipo de arte. Jack of all trades, teimoso, hiperativo. Melhor amigo de Murphy.

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