A onda da psicodelia brasileira

Por em sexta-feira, 21 julho 2017
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Texto: Paula França

O rock psicodélico surgiu lá atrás, na década de 1960, com grandes nomes como The Beatles e Pink Floyd e, com o passar do tempo, o estilo ligado à contracultura ganhou maior número de adeptos. Hoje, a categoria conta com Tame Impala, Pond, Unknown Mortal Orchestra e uma imensidão de bandas incríveis com propostas únicas e determinadas a proporcionar ao público muito mais que sons: sensações.

Ok, até aí tudo bem, mas onde fica o Brasil nisso tudo? Bom, se engana você de pensar que a onda psicodélica é exclusiva lá de fora. Lembra do tropicalismo? O movimento de vanguarda foi recheado de sons experimentais – e psicodelia – e ajudou a disseminar o estilo por aqui.

Mas mesmo com o grande sucesso e a imortalização de muitos nomes, precisamos falar da galera que chegou agora, de mãos dadas com a nova geração, nutrindo e renovando o estilo. E é por isso que vou listar aqui algumas bandas que fazem esse trabalho com muita grandeza e originalidade – e que não perdem em nada para o conteúdo da gringa.

Os goianos da Boogarins, maior nome do gênero aqui no Brasil, surgiram em 2013 com o álbum “As plantas que curam”, revitalizando e apresentando em território nacional um estilo diferente e enérgico. Os caras impressionaram tanto que, depois do lançamento do disco, fizeram mais de 70 shows pela Europa, Estados Unidos e América Latina, adicionando ao currículo festivais como Rock in Rio Lisboa e Lolapalooza.

E não parou por aí, porque com o segundo álbum, “Manual, ou guia livre de dissolução dos sonhos” (2015), foram indicados ao Grammy Latino como melhor álbum de rock em língua portuguesa, além de terem tocado com Brian Wilson – ele mesmo, o fundador da incrível The Beach Boys, responsável por inúmeras inovações no rock dos anos 60 – no festival Levitation, em Austin.

O terceiro álbum, “Lá vem a morte”, chegou de surpresa em junho desse ano e, por meio dele, é possível notar a identidade sonora do grupo com mais força. Ouça ele na íntegra.

Seguindo o estilo, temos My Magical Glowing Lens, projeto iniciado pela talentosa multi-instrumentista Gabriela Deptulski. Teve o primeiro trabalho lançado em 2013, um EP homônimo de 4 músicas.

O projeto solo se tornou banda com o álbum Cosmos, lançado no dia 29 de junho, que dá vida às composições completamente lisérgicas. Gabriela chama a música que faz de pop místico, denominação criada para separar seu estilo do rock, considerado por ela um gênero musical elitista e se distanciando dessa ideia.

MMGL traz misticidade em suas composições e arranjos, provocando os sentidos do ouvinte. E não são só sensações acústicas que a banda provoca, não. O clipe de “Raio de Sol” traz muitas cores e imagens que vão te levar para uma viagem intergalática.

A terceira sugestão fica para o artista Frabin, alter-ego de Victor Fabri, que começou suas composições bem cedo e em 2013 lançou seu primeiro EP “Selfish”, masterizado no mesmo estúdio por onde passaram álbuns incríveis como Plastic Beach do Gorillaz e Humbug do Arctic Monkeys.

Em 2015, lançou o EP “Real” pelos selos Balaclava e Midsummer Madness, contando com a masterização de Rob Grant, conhecido por produzir o álbum “Innerspeaker” do Tame Impala. Entre os singles de sucesso, “Bad vibes” traz no clipe tons fortes de azul e vermelho e a atmosfera de uma bad trip.

Recentemente, lançou o clipe de “Habits”, single de seu novo trabalho “Nope”, EP que tem data de estreia para o dia 01 de agosto.

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