Eu fiz tudo o que podia, agora está em suas mãos (parte 2)

Por em quinta-feira, 10 novembro 2016
fiz-tudo-pt2

Esse texto faz parte de uma história em série.
Leia aqui a primeira parte.

A garota do brilho singular, para sua surpresa, existia de verdade. Ele a encontrou na rede social e ela foi a primeira a mandar uma mensagem: “você me achou… de novo!”. Tudo aquilo parecia bom demais para ser verdade. Ele se encontrava em uma felicidade comparável a uma criança que acabou de ganhar um brinquedo novo. Corria pela casa, sorria e esticava os braços para o alto, em sinal de vitória.

Eles então começaram a conversar por dias seguidos, passaram a conhecer um pouco mais um do outro e, durante esse período, ele talvez tivesse exagerado um pouco nos elogios. Mas perdoem, pois ele estava completamente extasiado. Ao menos ele conseguia ser criativo. Exagerado, mas criativo.

Mesmo não sendo da sua natureza fazer tanto cortejo com uma garota, especialmente uma que acabou de conhecer, ele não conseguia evitar. Ele sentia uma necessidade quase fisiológica de dizer o quanto ela era incrível… e era sempre muito sincero. Ela era sem sombra de dúvidas, uma das mais belas criaturas que ele já havia visto. E vale salientar que, embora isso possa fazê-lo parecer um tanto superficial, ele admirava nela infinitas coisas além de simplesmente sua aparência. Ela era inteligente, perspicaz, independente, engraçada, além de ser dona de um jeito extremamente cativante. Ela, por sua vez, não sabia muito bem como lidar com elogios. Nunca soube.

Curiosa, ela fazia muitas perguntas. Aos olhos dele, isso demonstrava um interesse genuíno, que fosse ao menos em conhecê-lo melhor. Mas de repente, sem sobreaviso, as coisas mudaram de figura: as respostas começaram a demorar mais e mais. Horas e dias pareciam semanas. Ele começou a achar que havia perdido a oportunidade. Pensou que talvez a tivesse assustado. Ou que, muito provavelmente, alguém a teria “roubado”. Afinal, quem em sã consciência não compraria imediatamente um buquê de flores e colocaria um anel naquele dedo? Parecia exagerado pensar isso naquele momento, porém, mais tarde, todos concordaríamos.

Não chegaram a se encontrar depois daquela primeira vez, mas ele ainda esperava por uma oportunidade. Chegou a tentar chama-la para sair, mas não conseguiram. Ele sabia muito bem que, na realidade dos fatos, ela era apenas uma garota. Mesmo assim, não conseguia tirá-la da cabeça.

Pouco mais de um mês se passou e ele descobriu que ela iria se mudar. A distância ficaria vinte vezes maior do que já existia e ele não resistiu, foi procurá-la. Não sabia ao certo o que dizer, afinal, aos olhos dela, ele provavelmente era apenas mais um cara, como qualquer outro. Seria loucura demais pedi-la para não ir. Incabível. Surreal. Mesmo assim, ele bem-humoradamente pediu para não abandoná-lo. A resposta foi uma gargalhada. Todos estavam cientes de que era apenas uma brincadeira. Ou pelo menos um dos lados, para a segurança dele, achou que era.

Aquela garota, que havia mexido tanto com ele, como nenhuma outra parecia ter chego perto, estava definitivamente ficando mais distante, não apenas na ligação invisível que ele achava que tivessem criado, mas fisicamente também. Mas não teve jeito: ela partiu. Depois disso, o desligamento deles foi instantâneo. Não havia nada mais a ser feito a não ser seguir em frente. Realmente, ela era apenas uma garota. Apenas uma paixão platônica de fim de verão. Não havia motivos para entristecer, nem se desesperar.

Pouco mais de um ano depois ela voltou à cidade, mas os dois haviam seguido caminhos bem diferentes e apesar de manterem-se digitalmente conectados, não tinham mais contato. Eram semi-estranhos, semi-conhecidos. Ela, por sinal, estava namorando. Alguém tinha que se dar bem nessa história. Ainda assim, depois de todo aquele tempo, ela ainda era uma das pessoas mais incríveis a ter cruzado seu caminho e, toda vez que a olhava, mesmo através de uma tela, seu coração parecia sutilmente derreter.

Demorou três anos e alguns meses desde que se conheceram, até que eles se reconectaram. Os primeiros contatos começaram virtualmente, já que não frequentavam os mesmos meios. Nesse ponto, a tecnologia foi uma inestimável aliada. Mesmo levando um bom tempo até voltarem a se falar, enfim aconteceu e, o que veio depois foi ainda mais memorável do que tudo que havia se passado.

Em uma das primeiras conversas, ela disse – para sua surpresa – se lembrar da primeira vez que se viram! Aquilo fez com que, naquela noite, ele dormisse como não fazia há tempos. Nenhum dos dois contava com isso, mas aos poucos, foi surgindo um interesse inexplicável entre eles. A frequência das conversas começou a aumentar, cada vez mais longas e intensas, até que a afinidade se mostrou clara, inevitável e decidiram se encontrar de verdade. No início, eles aparentavam querer coisas diferentes um do outro, mas isso logo tomou rumos que nenhum dos dois imaginaria.

(Continua…)

Trabalha com a mente em 220 volts, e consegue pensar em cinco ou mais coisas simultaneamente – o tempo todo. Idealizador do Afronte. Amante incondicional de tequila, mas não dispensa a boa e velha roda de cerveja com os amigos. Admirador de todo tipo de arte. Jack of all trades, teimoso, hiperativo. Melhor amigo de Murphy.

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