Crítica: Power Rangers

Por em sexta-feira, 24 março 2017
critica-power-rangers

Uma das táticas de Hollywood nesta busca incessante por novas franquias é trazer de volta algo que marcou a infância da geração atual, aplicar um filtro “adulto”, para podermos consumi-lo sem culpa, e assim monetizar a nostalgia. Mas nem sempre isso dá certo, pois acertar o foco do filme é sempre um desafio. A bola da vez é Power Rangers, a série infanto-juvenil americana, feita a partir das antológicas séries Super Sentai japonesas, que angariou milhares de fãs ao redor do mundo. E felizmente aqui o resultado é surpreendentemente positivo e satisfatório.

Muitos fãs quando ouviram sobre este reboot cinematográfico da série se entusiasmaram com a possibilidade de ver os Rangers envoltos em uma trama adulta e cheia de sangue – como aquele curta que viralizou há uns anos atrás. Pessoalmente, era a possibilidade que mais me dava medo, afinal, já tivemos várias provas decepcionantes do que pode acontecer quando um universo fantasioso é levado a sério demais. Portanto, pensando em universos estabelecidos no cinema atual, “Power Rangers” soube beber bem da fonte Marvel e trouxe uma aventura muito leve e despretensiosa.

Crítica: Power Rangers

Outra fonte de inspiração para este filme foi “Clube dos Cinco”, e ao contrário da série original, aqui todos os Rangers são adolescentes desajustados, ou melhor, jovens normais que não se encaixam no padrão e que cometem erros. E está aí o ponto mais positivo do roteiro, eles são o foco principal e não os Power Rangers, os Zords e as batalhas. Talvez seja por questão de orçamento ou de escolha mesmo dos produtores, mas foi crucial para o filme essa opção de dar mais espaço para desenvolver os protagonistas ao invés de ir direto para a ação. Isso gera uma profundidade nos personagens nunca antes vista na série original, principalmente nas primeiras temporadas. Inclusive esse ponto é chave para a progressão do filme, já que é estabelecido que eles precisam ter uma ligação especial uns com os outros para poder “morfarem”, portanto, esse crescimento interno e externo não é jogado e dá ainda mais importância ao drama pessoal de cada um.

Aliás, há de se elogiar aqui o bom trabalho dos atores: Dacre Montgomery (Jason – Ranger Vermelho) é o líder que tinha tudo pra dar certo na vida, mas acaba fazendo escolhas erradas; Naomi Scott (Kimberly – Ranger Rosa) é a patricinha que não se perdoa pelas maldades que já fez; Ludi Lin (Zack – Ranger Preto) é o hiperativo e, segundo ele mesmo, maluco; Becky G. (Trini – Ranger Amarela) é a menina isolada que está sempre tendo que esconder quem é; e RJ Cyler (Billy – Ranger Azul) é o nerd com problemas para se socializar, mas que rouba a cena de tal forma que se torna o coração do grupo e do filme. Além dos Rangers também temos a ala mais experiente que conta com Bill Hader, como a voz do robô Alpha 5, Elizabeth Banks, como a vilã Rita Repulsa (que apesar de ser exatamente o que os fãs teorizavam, não é tão bem explorada assim) e Bryan Cranston, interpretando um Zordon um tanto diferente do original e bem mais interessante.

Crítica: Power Rangers 2

Obviamente, o filme não é perfeito. O tempo de ação, mesmo dos jovens como Power Rangers é bem curto e a coreografia das lutas não é lá essas coisas. Os Zords também não têm tanta personalidade e parecem ser figurantes de algum filme dos Transformers. Entretanto o que falta no aspecto técnico, sobra no desenvolvimento dos personagens principais, o que é sempre mais importante num filme de origem. Enfim, mesmo que não agrade a todos, Power Rangers é um ótimo filme de super-heróis e vai fazer a maioria dos fãs felizes com a tonelada de referências e homenagens à série original; e alguma delas são de arrepiar os mais nostálgicos. Ah, e esperem mais um pouquinho no cinema porque tem uma cena pós-créditos bem legal.

Crítica: Power Rangers pôster

Power Rangers

Roteiro: John Gatins
Direção: Dean Israelite
Elenco: Dacre Montgomery, Naomi Scott, RJ Cyler.
Gênero: Ação, Aventura, Sci-fi
Duração: 2h04min

Estreia no Brasil: 23 de março de 2017

Publicitário não praticante. Adora vasculhar a internet para ler sobre personagens de quadrinhos que nunca leu e filmes que nunca viu. Ama videogames e cinema e, logicamente, odeia filmes de games ou games de filmes. Escreve para o Afronte sobre games e filmes de cultura pop-geek. Seu sonho é ter uma loja de games e action figures ou se tornar um Mestre Pokemon, o que acontecer primeiro.

Comentários