Crítica: “Maze Runner: A Cura Mortal” pode agradar pela ação, mas não pela profundidade

Por em quinta-feira, 25 janeiro 2018
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Maze Runner é mais uma das franquias que surgiram com o sucesso de Harry Potter, as “adaptações de livros infanto-juvenis”, e com um sucesso interessante conseguiu chegar ao terceiro filme para encerrar a trilogia – Percy Jackson não teve essa sorte. A Cura Mortal, portanto, é o derradeiro capítulo dessa saga e entrega tudo o que os fãs da franquia gostam: cenas de ação mirabolantes e o dramático conflito de gerações envolto por um mundo sci-fi, pós-apocaliptico, cheio de zumbis.

O filme se passa alguns meses após o final de Prova de Fogo (segundo filme da franquia) e Thomas (Dylan O’Brien) e seus companheiros estão tentando resgatar Minho (Ki Hong Lee), que havia sido recapturado pela CRUEL. Logo eles descobrem seu paradeiro na última cidade ainda em pé nesse mundo perdido, porém, para passar pelos enormes muros que protegem o local, eles precisarão da ajuda de um ex-colega da Clareira e também de Teresa (Kaya Scodelario), em quem não sabem se podem confiar ou não.

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A terceira parte dessa história continua abordando o choque de gerações, que é o foco da franquia. Um vírus está transformando a população mundial em zumbis (aqui chamados de cranks) e apenas os jovens são imunes a eles. Levando a máxima de que “os jovens são o futuro da humanidade” até as últimas consequências, os mais velhos e poderosos os usam como ratos de laboratório para produzir uma cura para a doença que irá exterminá-los. Ou seja, são as gerações mais velhas que ficam martelando a cabeça dos jovens – os millennials são o alvo atual – pelo medo da inevitável obsolescência, assim como o animal que mata o próprio filhote porque sabe que no futuro ele será um rival na busca pela sobrevivência.

Quem acaba saindo um pouco desse prisma e leva a discussão para outro lado é Teresa, que aborda o tema mais como uma decisão de sacrifício pessoal em prol de um bem maior.Não à toa ela é a personagem mais interessante de toda a saga e é uma pena que sua interação com o messiânico Thomas seja abordada de forma tão rasa. O embate de suas opiniões deveria ser o ponto alto da franquia, mas acaba ficando em segundo plano e não recebe uma resolução à altura.

Ainda sobre Thomas, aqui ele continua sendo o líder que não resolve nada. Na verdade, ele é extremamente carismático e consegue angariar todo tipo de seguidor, mas a maioria das situações onde se mete são solucionadas por seus colegas. Isso torna as cenas de ação interessantes, com certeza. Ver o herói sendo salvo por uma ajuda inusitada te deixa na ponta da cadeira até o último segundo, mas quando isso acontece toda hora se torna uma solução barata, um deus ex machina de segunda categoria.

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Apesar do roteiro recheado de furos, o filme diverte bastante pelas cenas de ação, aqui muito bem equilibradas com os momentos mais dramáticos de interação entre os personagens. O filme tem um bom ritmo e os personagens secundários também recebem maior destaque como Minho e Newt (Thomas Brodie-Sangster) que ganham um pouco de profundidade, já o coitado do Caçarola (Dexter Darden) continua fazendo figuração praticamente.

“Maze Runner: A Cura Mortal” é um bom filme pra quem quiser desligar um pouco a cabeça e curtir sem maiores pretensões. Quem quiser mergulhar um pouco mais pode se interessar pela analogia do conflito de gerações e ainda ganha de brinde uma pitada de luta de classes. Mas é bom não manter altas expectativas, pois esses debates têm menos tempo de tela do que uma explosão.

Crítica: Maze Runner: A Cura Mortal pôster

Maze Runner: A Cura Mortal (“Maze Runner: The Death Cure”)

Roteiro: T.S. Nowlin
Direção: Wes Ball
Elenco: Dylan O’Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario.
Gênero: Ação, Sci-fi, Thriller
Duração: 2h22min

Estreia no Brasil: 25 de janeiro de 2018

Publicitário não praticante. Adora vasculhar a internet para ler sobre personagens de quadrinhos que nunca leu e filmes que nunca viu. Ama videogames e cinema e, logicamente, odeia filmes de games ou games de filmes. Escreve para o Afronte sobre games e filmes de cultura pop-geek. Seu sonho é ter uma loja de games e action figures ou se tornar um Mestre Pokemon, o que acontecer primeiro.

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