Crítica: Logan

Por em quarta-feira, 1 março 2017
critica-logan

Dizer que Logan é o melhor filme do Wolverine seria subestimá-lo, até porque, qualquer coisa pode ser melhor que os dois primeiros filmes. Depois deste fim de semana, muito provavelmente Logan será alçado ao topo dos filmes de super-heróis como um dos melhores já feitos! Pelo menos entre os filmes dos mutantes, ele pode ser considerado o melhor – ou pelo menos empatado – com “Deadpool”, apesar de terem tons totalmente diferentes.

O filme se passa em um futuro não muito distante, mas Logan já está bastante velho, provavelmente com mais de 100 anos a essa altura. Seu corpo, que em outros tempos era praticamente indestrutível, dá desesperançosos sinais de que já não aguenta mais o antigo estilo de vida do mutante. Tudo que ele quer é ficar sossegado abaixo do radar, porém um encontro com uma garotinha bastante familiar faz com que ele retorne a velhos hábitos que jurava nunca mais repetir.

Crítica: Logan

O que diferencia “Logan” dos outros filmes é que este tem alma, você pode sentir algo a mais ali. A dor, o sofrimento, o cansaço, tudo isso dá uma tridimensionalidade pouco vista anteriormente no herói. Desde sempre o Wolverine é um personagem fadado a sofrer. Seu fator de cura faz com que ele viva mais do que todos que ele ama, e tudo o que fizeram para transformá-lo em uma arma viva o torna extremamente complexado. Hugh Jackman – que mal conhecia o personagem quando o interpretou pela primeira vez – entendeu isso. Talvez pela proximidade física atual, aos 48 anos, o ator deve entender bem como é querer fazer algo que o corpo não consegue mais e chegou a ir até mais longe, pois segundo uma entrevista, em boa parte do filme Jackman atuou com uma pedra no sapato para transparecer melhor a sensação de desconforto.

Se livrar da prisão da classificação indicativa para 14 anos foi uma das melhores ajudas que este filme poderia receber. Nunca antes houve um Wolverine tão brutal. Ver suas garras cortando membros e cabeças fora traz uma incrível satisfação e, sem querer, adicionam uma nova camada ao filme, pois dá a impressão de que ele realmente está cansado de ser bonzinho e não está mais nem aí para nada. Além da violência há de se destacar o quão incrível é ver o velhinho Professor Xavier soltando palavrões a torto e a direito. Realmente não foi gratuita essa mudança de faixa etária.

Crítica: Logan

Apesar de estar dentro do gênero de super-heróis (se é que é mesmo um gênero), “Logan” ultrapassa essa barreira e se mostra um drama competente sobre perdas, sobre o significado de família, sobre se permitir amar novamente e principalmente sobre ser aquilo que você quer, fazer seu próprio destino, mesmo que forças externas te digam que você não foi criado para isso. Aliás, isso rende uma ótima analogia com a própria franquia Wolverine, que passou anos tentando ser o que não deveria, para finalmente se encontrar. Pena que demorou tanto para recebermos um filme assim. Mas ao mesmo tempo, ainda bem que tivemos a oportunidade de recebê-lo.

Crítica: Logan pôster

Logan

Roteiro: James Mangold, Scott Frank
Direção: James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen.
Gênero: Ação, Drama, Sci-Fi
Duração: 2h17min

Estreia no Brasil: 2 de março de 2017

Publicitário não praticante. Adora vasculhar a internet para ler sobre personagens de quadrinhos que nunca leu e filmes que nunca viu. Ama videogames e cinema e, logicamente, odeia filmes de games ou games de filmes. Escreve para o Afronte sobre games e filmes de cultura pop-geek. Seu sonho é ter uma loja de games e action figures ou se tornar um Mestre Pokemon, o que acontecer primeiro.

Comentários