Crítica – Kong: A Ilha da Caveira

Por em quarta-feira, 8 março 2017
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Sejam bem-vindos novamente à Ilha da Caveira, lar de um dos monstros mais míticos da história do cinema: King Kong! Este novo filme reconta mais uma vez a história do gorila gigante que vive em uma ilha isolada e intocada pelo homem moderno. Todos esses elementos estão de volta referenciando o clássico, e aproveitando para inserir Kong num pano de fundo ainda maior e não visto anteriormente. Tudo isso rende um grande filme de ação, mas que ainda tem os seus problemas.

Ao contrário do remake de Peter Jackson (de 2005), esta nova interação muda muitas coisas em relação ao filme original. O primeiro ponto é a época em que se passa: aqui acontece na década de 70, assim que os Estados Unidos retiram suas tropas do Vietnã. Outra mudança é o fato de ser uma expedição científica de exploração do local e não uma viagem para fazer um filme. Ah, e não tem Nova Iorque aqui também.

Crítica – Kong: A Ilha da Caveira

O primeiro ato do filme é focado na reunião dos participantes da expedição e então somos apresentados ao grande elenco. Bill Randa (John Goodman) e Houston Brooks (Corey Hawkins) são os representantes da Monarch, uma empresa ligada ao governo que está a frente da expedição e que contrata James Conrad (Tom Hiddleston), um perito em sobrevivência para ser o principal guia, Mason Weaver (Brie Larson), uma fotógrafa para documentar as descobertas, e o Coronel Packard (Samuel L. Jackson) e sua tropa que acabaram de receber baixa da guerra do Vietnã, mas são redirecionados pelo governo para a escolta da comissão científica.

Aí está o primeiro e maior problema do filme. São muitos personagens e nenhum deles é aprofundado, vários deles morrem – o que era de se esperar mesmo -, mas nenhuma das mortes tem tanto peso assim, pois não houve tempo para se identificar com os personagens e a grande maioria você nem vai lembrar o nome ao fim da sessão. Isso até é normal em personagens secundários, mas quando afeta os personagens principais, Hiddleston e Larson, que no caso são rasos como uma piscina infantil, é porque o roteiro não foi bem planejado. O único que foge dessa bidimensionalidade é o personagem de Samuel L. Jackson, que aqui representa toda a megalomania da humanidade ao se achar superior a todas as outras raças presentes no mundo.

Crítica – Kong: A Ilha da Caveira

Felizmente, apesar do roteiro ser fraco, Kong: A Ilha da Caveira ainda é um filme de ação muito bom! As sequências com o gorila gigante são de tirar o fôlego, ainda mais se assistidas em IMAX como foi na sessão de imprensa, e o 3D está muito bem feito, dando uma profundidade sutil à película e sem ficar jogando coisas na sua cara o tempo todo. A fotografia da floresta é linda e tem nuances diferenciadas dependendo do momento da história, o que agrega bastante, além da trilha sonora que conta com faixas de Black Sabbath, David Bowie e outros grandes artistas da época em que se passa a história. Kong desta vez está maior de que nunca e o trabalho digital que foi feito para reproduzi-lo está sublime.

Existe um bom motivo para a volta do King Kong e também o porquê dele ter voltado tão grande assim. Alguns olhos mais atentos já podem ter percebido a referência nesse texto mesmo, mas eu prefiro não dizer explicitamente, pois a surpresa é bem interessante, mas fica a dica aqui: esperem o fim dos créditos finais. “Kong: A Ilha da Caveira” não é brilhante, mas é competente apesar dos problemas. Vale ser visto no cinema pelo visual estupendo e vai valer também pelo que há de vir no futuro desta e outra franquia.

Crítica – Kong: A Ilha da Caveira

Crítica – Kong: A Ilha da Caveira pôster

Kong: A Ilha da Caveira (“Kong: Skull Island”)

Roteiro: Dan Gilroy, Max Borenstein, Derek Connolly
Direção: Jordan Vogt-Roberts
Elenco: Tom Hiddleston, Samuel L. Jackson, Brie Larson.
Gênero: Ação, Aventura, Fantasia
Duração: 1h58min

Estreia no Brasil: 9 de março de 2017

Publicitário não praticante. Adora vasculhar a internet para ler sobre personagens de quadrinhos que nunca leu e filmes que nunca viu. Ama videogames e cinema e, logicamente, odeia filmes de games ou games de filmes. Escreve para o Afronte sobre games e filmes de cultura pop-geek. Seu sonho é ter uma loja de games e action figures ou se tornar um Mestre Pokemon, o que acontecer primeiro.

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