Crítica – “Kingsman: O Círculo Dourado”

Por em quarta-feira, 27 setembro 2017
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A (agora) franquia Kingsman surpreendeu o público em 2014, ao subverter o gênero de espionagem, principalmente os filmes de James Bond, com violência extrema, diálogos chulos, cenas de ação ainda mais mirabolantes e um vilão que tentava fugir do clichê. Sabendo não possuir mais esse ás na manga, que chamou tanta atenção ao primeiro filme, a sequência O Círculo Dourado apresenta mais do mesmo, porém ela o faz de forma tão divertida e eletrizante que isso só irá incomodar mesmo os cinéfilos mais exigentes.

Nessa nova aventura, Eggsy (Taron Egerton), agora assumindo de vez o codinome Galahad, se vê sem chão quando um ataque surpresa detrói totalmente a sede da Kingsman e todos os outros agentes, restando apenas ele e Merlin (Mark Strong) vivos. Sendo assim, eles precisam pedir ajuda à Stateman, uma agência de inteligência aos moldes da Kingsman, porém situada nos Estados Unidos, e confiar nos agentes Champ (Jeff Bridges), Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal) e Ginger (Halle Berry).

Crítica Kingsman: O Círculo Dourado

O maior ponto positivo de Kingsman: O Círculo Dourado é ser consciente de que algumas coisas não podem ser superadas. A ameaça aqui tem a mesma abrangência global do primeiro filme, mas aborda outro tema da nossa sociedade: a guerra às drogas, no caso. Assim o filme consegue criticar outros pontos sem precisar ser maior ou melhor, é apenas diferente. As cenas de ação continuam incríveis, toda a coreografia é digna de estar nas páginas de uma HQ – que é o material base da franquia. As lutas parecem uma dança e tudo flui muito bem, sem deixar o espectador perdido. Nenhuma delas, no entanto, tenta superar a famosa “cena da igreja”, aliás, ainda bem! Pois isso seria um desserviço ao primeiro filme.

A propósito, falando em desserviço ao primeiro filme, a volta do antigo Galahad, Harry (Colin Firth), é um tanto gratuita. Não me entendam mal, o Colin Firth está ótimo novamente e o personagem é muito legal, mas fora isso, essa ressureição não acrescenta em nada narrativamente, ao passo de que o filme se desenrolaria praticamente da mesma forma sem ele. O pior é que isso enfraquece a suposta morte do personagem na primeira história.

Ainda assim, esse é um filme divertidíssimo! As piadas estão muito boas e algumas são de fazer gargalhar alto, principalmente as que tem a participação de Sir Elton John. Kingsman cumpriu a missão de desconstruir o gênero de espionagem com louvor já no primeiro filme e Matthew Vaughn (diretor e co-roteirista) sabe disso. Não à toa entendeu que não precisava ser melhor ou mais grandioso, mas simplesmente ser diferente, abordar novos temas de forma ácida e cheia de ironia como anteriormente. Só falta entender que não precisa revirar o passado pra alcançar isso.

Crítica Kingsman: O Círculo Dourado

Publicitário não praticante. Adora vasculhar a internet para ler sobre personagens de quadrinhos que nunca leu e filmes que nunca viu. Ama videogames e cinema e, logicamente, odeia filmes de games ou games de filmes. Escreve para o Afronte sobre games e filmes de cultura pop-geek. Seu sonho é ter uma loja de games e action figures ou se tornar um Mestre Pokemon, o que acontecer primeiro.

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