Crítica: Joaquim

Por em quinta-feira, 20 abril 2017
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Apesar de saber que a história de Joaquim narraria a vida de Joaquim José antes de se tornar o famoso Tiradentes, fui na expectativa da revolução. Ver uns tiros, gente morta, muito ouro, ação, adrenalina e, obviamente, muito mato. Me enganei. Grotescamente. A experiência foi bem melhor do que eu esperava.

A vida do protético e alferes da Guarda Real, Joaquim José, era uma vida bem mansa. Vigiava as estradas, pegava uns ladrõezinhos, arrancava uns dentes aqui e ali e tinha seus momentos de amor com uma das escravas, a Preta, que ele ansiava libertá-la das garras do atual dono. Nem a inimizade com seu par alferes atrapalhava. Até que a Preta assassinou o dono e fugiu. Em sequência, Joaquim foi enviado pro sertão numa pequena expedição em busca de novas fontes de ouro ou pedras preciosas.

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O que vemos daí em diante é o processo de Joaquim pra entender que, a única coisa que ele faz é encher os bolsos da Coroa. Que a vida dele e de todos que não são da corte, é miserável, que os portugueses têm mais é que ser enxotados daqui. E aos poucos, ele descobre que não é o único que pensa assim e se “afilia aos rebeldes”. Com direito a uma direta clara pros Estados Unidos e seu “pensamento de posso tudo e aqui todo mundo é livre”.

O filme tem uma fotografia maravilhosa (foi filmado em Diamantina-MG) e a edição de som é fantástica. A sensação dos sons ao redor durante alguns diálogos te coloca numa situação de imersão sensacional. O que achei ter sido o maior defeito do filme foi o efeito da câmera instável. Entendo que a ideia de imersão tenha sido o foco aqui, mas em metade do filme não era necessário que rolasse o tremelique que rolou.

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Joaquim é uma produção luso-brasileira e foi nosso único representante no Festival de Berlim. O filme é lindo e merece ser contemplado. Recomendo! Só não espere ação e se prepare pro final abrupto, porém simbólico.

Crítica: Joaquim pôster

Joaquim

Roteiro: Marcelo Gomes
Direção: Marcelo Gomes
Elenco: Julio Machado, Isabél Zuaa, Nuno Lopes, Rômulo Braga, Welket Bungué.
Gênero: Biografia
Duração: 1h37min

Estreia no Brasil: 20 de abril de 2017

Largou o curso de Letras Port/Inglês pra trabalhar como Técnico Telecom. O hobbie de DJ virou profissão alternativa e às vezes ganha um trocado com isso. Começou escrevendo resenhas e críticas na internet. Entrou no Afronte pra falar de filmes, mas tem um affair com música, séries e praticamente qualquer assunto. No meio disso tudo ainda arruma tempo pra estudar ADM.

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