Crítica: “Extraordinário” emociona sem apelar para vitimização

Por em quarta-feira, 6 dezembro 2017
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Todas as histórias têm pelo menos dois lados – a maioria delas, inclusive, tem vários. É respeitando essa ideia que Extraordinário (“Wonder”), dirigido por Stephen Chbosky (autor do livro e diretor do filme “As Vantagens de Ser Invisível”), foge do lugar-comum de vilões e mocinhos e consegue emocionar pela forma como retrata o que há de mais humano nas relações.

Baseado no livro homônimo de R. J. Palacio, o filme conta a história de Auggie Pullman (Jacob Tremblay), um menino que sofre da síndrome de Treacher Collins. Mesmo com a pouca idade, ele já passou por mais de 20 cirurgias para melhorar a saúde, mas não conseguiu escapar da deformação facial. Quando ele faz dez anos, a mãe, Isabel (Julia Roberts), resolve deixar o papel de professora do filho e matriculá-lo em uma escola. É aí que Auggie, uma criança vidrada em astros e outros planetas, começa a descobrir o mundo real onde vive.

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O núcleo escolar é o que mais toma espaço no filme, e a atuação das crianças é um de seus pontos fortes. O protagonista Jacob Tremblay, que ganhou o coração do mundo em 2015 pelo papel em “O Quarto de Jack” (Room), faz mais um ótimo trabalho, embora a caracterização torne difícil ver as expressões do menino. Noah Jupe, outro jovem ator, está extremamente cativante no papel de Jack Will, o primeiro amigo de Auggie na escola. As interações entre os dois, embaladas por Jack White cantando ‘We’re Going to Be Friends’, formam algumas das cenas mais bonitas e sensíveis do longa.

Outro pilar do roteiro é a família de Auggie, formada pelo pai, interpretado por Owen Wilson, a irmã, a atriz Izabela Vidovic, além de Julia Roberts no papel da mãe e da brasileira Sonia Braga em uma participação curta como a avó das crianças. É entre eles que o garoto encontra o conforto necessário para encarar as dificuldades, muitas vezes recorrendo ao bom humor, especialidade do pai. Via, a irmã, precisa lidar com seus próprios conflitos de adolescente ao mesmo tempo em que apoia o caçula, e sua trajetória também ganha destaque no filme de forma paralela à trama principal.

Esse é um recurso bem utilizado no filme: vários dos personagens têm um espaço próprio, em forma de capítulo, para contar a história do seu ponto de vista. É uma fórmula já conhecida, que funciona bem para que o espectador entenda as motivações de cada um.

Com estreia prevista para 07 de dezembro no Brasil, ‘Extraordinário’ é um daqueles trabalhos realmente feitos para um público abrangente – crianças, adolescentes, pais, professores e adultos em geral. Isso porque não há quem não possa se beneficiar de um conto sobre amor, fraquezas, coragem e sobre como as experiências difíceis nos ensinam e nos tornam mais fortes.

Jornalista apaixonada por música, livros e, acima de tudo, por filmes. Adora ouvir e contar histórias, principalmente as mais inusitadas. Gostaria de ser menos viciada em chocolate e internet.

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