Crítica: “Bingo: O Rei das Manhãs”

Por em terça-feira, 22 agosto 2017
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Texto: Wendel Wonka e Ester C. Souza

O filme Bingo – O Rei das Manhãs é inspirado na vida de Arlindo Barreto, ex-ator de pornochanchada, que tornou-se o rosto por trás da franquia brasileira do palhaço Bozo, em meados dos anos 80. Dando vida à releitura desse ícone nacional, Vladimir Brichta aparece brindando o telespectador, no que parece ser uma das atuações mais geniais de sua vida.

Cansado de ser ator de filmes adultos, Augusto Mendes (Vladimir Brichta) acaba por cair num teste pra ser o palhaço Bingo – a franquia BR de um clássico americano –, por incentivo do filho, para que Augusto trabalhasse em algo em que pudessem assistir em família. Do lado da emissora, temos a determinação da diretora Lúcia (Leandra Leal) que vê no programa do palhaço Bingo a sua chance de despontar na TV com conteúdo original. A evolução da história é muito perceptível e, com uma mistura de comédia e drama, é impossível não torcer pelo sucesso de Augusto e ficar aflito quando ele se afunda em álcool e drogas.

Crítica: Bingo – O Rei das Manhãs

O filme nos faz mergulhar de cabeça no clima dos anos 80. Usando tanto dos recursos fotográficos, quanto das milhares de referencias da década, a atmosfera montada é bem objetiva e o resultado é sensacional. Por conta de direitos autorais, mudaram o nome do palhaço para Bingo e, por ser baseado na vida de Barreto (sim, nem tudo o que acontece no filme foi verdade) mudaram alguns nomes também. Obviamente é impossível não entender que a TVP se refere ao SBT, TV Mundial à Globo e Show da Lulu ao da Xuxa. A única personagem diretamente mencionada com as devidas autorizações é Gretchen, onde num dado momento do filme, faz a conexão perfeita com a busca de Augusto em ser campeão de audiência com não se importar com os limites e esse grande ícone da época. Afinal, como diz o personagem em dado momento: “isso aqui é Brasil e não é para amadores”.

O diretor Daniel Rezende merece destaque pela qualidade em seu primeiro trabalho como diretor. Ganhador do BAFTA de Edição em 2003, por “Cidade de Deus”, tem também em seu currículo, “Tropa de Elite” (1 e 2), “Árvore da Vida”, “Ensaio Sobre a Cegueira” (e quase todos do Walter Salles), dentre outros. Provavelmente sua premiada experiência em edição foi item determinante na qualidade entregue nas telas.

Depois de assistir ao maravilhoso “O Filme da Minha Vida” umas semanas atrás e lembrar dos também recentes “Elis” e “Aquarius” (que são os que me vieram a mente agora), ousaria dizer que o cinema nacional definitivamente está nos seus melhores anos. Como a Ester sempre diz, tá mais que na hora de sairmos do sofá e passarmos a valorizar os profissionais do cinema brasileiro. Nossas produções são um banho de técnica e talento, deixando nada a desejar em comparação às produções gringas dentro do mesmo estilo.

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Bingo – O Rei das Manhãs

Roteiro: Luiz Bolognesi
Direção: Daniel Rezende
Elenco: Tainá Müller, Leandra Leal, Vladimir Brichta.
Gênero: Drama
Duração: 1h53min

Estreia no Brasil: 24 de agosto de 2017

Largou o curso de Letras Port/Inglês pra trabalhar como Técnico Telecom. O hobbie de DJ virou profissão alternativa e às vezes ganha um trocado com isso. Começou escrevendo resenhas e críticas na internet. Entrou no Afronte pra falar de filmes, mas tem um affair com música, séries e praticamente qualquer assunto. No meio disso tudo ainda arruma tempo pra estudar ADM.

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