Crítica: A Bela e a Fera

Por em segunda-feira, 3 abril 2017
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Desde “Cinderela”, a Disney entendeu que o equilíbrio entre nostalgia e novidade é a fórmula para um live-action de sucesso. A Bela e a Fera encarnou essa proposta.

O longa dá novos ares para a clássica animação de mesmo nome: a história de amor entre Bela (Emma Watson), única leitora de uma pequena aldeia provinciana, e Fera (Dan Stevens), príncipe transformado em monstro por uma feiticeira que o pune por sua frieza. Para quebrar a maldição, Fera deve aprender a amar – e ser correspondido. A chegada de Bela no castelo renova as esperanças da criadagem de finalmente se libertarem do feitiço, retomando a forma humana assim como seu amo.

Crítica: A Bela e a Fera

Recheado de cenas que reproduzem a animação original, o filme traz complementos que solucionam várias de suas pontas soltas. O longa ainda se dedica a construir a identidade de uma gama muito maior de personagens. Cada um deles tem uma história, um trejeito, um ponto de vista. Suas atitudes e pensamentos são críveis. Ao acompanhar Bela pela aldeia, o espectador se sente imerso num autêntico lugarejo, e não apenas numa massa uniforme de figurantes.

Muito da força do filme está na construção mais interessante dos personagens, sem perder sua essência. Maurice (Kevin Kline), o pai de Bela, deixa de ser um velhinho atrapalhado e ingênuo para se transformar em alguém que, apesar de excêntrico, efetivamente protege e apoia a filha. Já Lefou (Josh Gad) revela-se muito mais do que o mero admirador secreto do ídolo da aldeia. Falando nele, Gaston (Luke Evans) realmente ganhou vida no filme. As semelhanças com o personagem original são palpáveis e, mesmo sendo mais ardiloso do que o primeiro, não perde o ar carismático.

Crítica: A Bela e a Fera

Temos uma Fera instruída e cômica, que dá muito mais motivos para que Bela se apaixone por ele. A jovem, por sua vez, é cativante e determinada. Mesmo que tenha brilhado mais em alguns momentos do que em outros, convence ao revelar inseguranças e qualidades. Apesar disso, foi difícil para os protagonistas competirem com o carisma de Lumière (Ewan McGregor), Horloge (Ian McKellen) e dos outros móveis – ou melhor, criados – do castelo.

O longa também entrega detalhes sobre o passado dos protagonistas. Além disso, o relacionamento do casal é melhor construído, o que com certeza aconteceu devido a críticas que o taxavam de abusivo na animação.

A trilha sonora recria a original, garantindo o ar nostálgico de algumas cenas. Os cenários e efeitos visuais são de encher os olhos, com novas músicas criadas especialmente para o live-action. Entretanto, o autotune nas canções interpretadas por Emma Watson e Dan Stevens ficou exagerado. A manipulação descarada das vozes dos atores tira um pouco da magia das performances. As cenas icônicas também não ficaram tão atraentes quanto na versão original.

Fora isso, A Bela e a Fera faz um belo trabalho com um dos filmes mais queridos da Disney – oferecendo ainda uma singela homenagem à versão clássica do conto.

Crítica: A Bela e a Fera pôster

A Bela e a Fera (“Beauty and the Beast”)

Roteiro: Stephen Chbosky, Evan Spiliotopoulos
Direção: Bill Condon
Elenco: Emma Watson, Dan Stevens, Luke Evans, .
Gênero: Família, Fantasia, Musical
Duração: 2h09min

Estreia no Brasil: 16 de março de 2017

Redatora publicitária, adora qualquer coisa que gere um bom papo. Uma vez, leu que “virar adulto é perder poesia”, e desde então se recusa a deixar de ser criança de vez em quando. Já participou de algumas antologias e escreveu o livro infantil “O Mirabolante Doutor Rocambole”. Amante incondicional de sorvete de pistache.

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