“Atypical” – nova série da Netflix sobre autismo é sensível, delicada e divertida

Por em segunda-feira, 14 agosto 2017
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Consistência. Algo aparentemente tão simples, mas que na prática, parece tão difícil de alcançar, talvez seja o ponto forte – mas não o único – de Atypical, nova série exclusiva da Netflix. Consistente do início ao fim, a produção é meticulosa e apresenta um elenco em boa parte carismático, com um roteiro afiado – ainda que eventualmente caia em alguns clichês – e uma temática não só curiosa, mas um tanto quanto didática. Elementos que fazem da série uma das melhores dramédias do ano.

Sam é um adolescente de 18 anos com Transtorno do Espectro Autista, condição que torna a pessoa socialmente prejudicada, por afetar a capacidade de se comunicar e interagir. Logo, com a fase colegial e os desejos comuns da idade, tais como arrumar uma namorada, a série gira em torno dessa temática, que envolve não só o protagonista, mas todos à sua volta. Interpretado brilhantemente por Keir Gilchrist (novato com bastante talento), o elenco conta ainda com os veteranos Jennifer Jason Leigh e Michael Rapaport, mãe e pai de Sam, e outra novata, Brigette Lundy-Paine (“O Castelo de Vidro”) que interpreta sua irmã Casey.

Crítica: Atypical (série Netflix)

Como mencionado, o elenco é carismático na maior parte, garantindo ao menos a qualidade do núcleo principal. Quem ganha um destaque um pouco maior entre os personagens de suporte, é Julia, a terapeuta de Sam, que num primeiro momento parece jovem demais para ocupar a função, parecendo mais com uma colega de escola – mas que se torna mais convincente depois de algum tempo. Interpretada por Amy Okuda (a Tinkerbella da websérie nerd “The Guild”), a personagem é pivô em diversas situações, sendo importante em mais de um episódio, especialmente no âmbito mais cômico da série. Ainda no lado cômico, temos Zahid (Nik Dodani), melhor (e único) amigo de Sam, que embora seja um pouco exagerado, serve como base para algumas situações inusitadas. Por fim, Paige e Evan são outros dois adolescentes com papéis relevantes na história – especialmente a primeira, com alguns dos momentos mais fofos e engradados nessa primeira temporada.

Atypical é uma série que te conquista logo no primeiro episódio, e faz com que você se apaixone cada vez mais pelos personagens. Delicada e sensível, há momentos intensos, bonitos e reflexivos, mas não cai em um drama extremo, graças ao alívio cômico – muito bem inserido – que a torna leve e divertida, garantindo algumas boas risadas, ou no menor dos casos, um sorriso afetuoso de canto de boca.

Crítica: Atypical (série Netflix)

Dentro do espectro autista, o protagonista é o que consideram “altamente funcional”, por não ter suas capacidades cognitivas tão afetadas e conseguir interagir relativamente bem, especialmente entre aqueles com os quais se sente mais confortável. Nesse caminho, a produção também consegue abordar como a doença afeta não só o indivíduo, mas seus amigos e familiares, de variadas formas. A inocência e sinceridade do personagem cria uma empatia extremamente forte no espectador, e a maneira como esse personagem é construído e evolui ao longo da série, é um dos pontos que mais desperta a curiosidade e prende a atenção da audiência. Além de tudo, a série consegue informar e alertar sobre a condição do autismo, fazendo com que ela se torne, acima de tudo, uma experiência pra vida.

Com 8 episódios de 30 (e poucos) minutos, Atypical chegou à Netflix no dia 11 de agosto e pode ser um desafio conseguir não assistir tudo de uma só vez.

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