Artista finlandesa cria pinturas marcadas por ambiente sombrio

Por em sexta-feira, 30 maio 2014
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Ao olhar para a figura abaixo, podemos pensar que se trata de algum pôster de filme de terror ou até mesmo um fantasma, para os menos céticos. E não é para menos. O tom sombrio e assustador da imagem transmite uma sensação de movimento, como se a qualquer instante o indivíduo presente na tela fosse se mexer. A fotografia é tão crível que poucos afirmariam que os materiais usados para a criação da obra são os mais diversos tons de tinta e o bom e velho pincel.

Tiina Heiska 1

A autora das criações fantasmagóricas atende pelo nome de Tiina Heiska. Nascida na Finlândia, a pintora já expôs seu trabalho em diversas galerias como a Galeri Susan Nielsen, em Paris, e a Quidley&Company Fine Art, em Boston. Graduada em 2001 pela Academia de Belas Artes, Tiina cria, desde então, pinturas misteriosas e intrigantes, que remetem a fotografias borradas. Grande parte de suas obras são protagonizadas por figuras femininas, tanto em fase adulta, quanto na infantil. Sem revelar o significado das criações, a pintora permite que os espectadores criem suas próprias teorias acerca das obras, conforme define o texto de apresentação de “Growing Small”, uma de suas várias criações: “Ele (o significado) é deixado para a imaginação do espectador para preencher a história”.

Em entrevista concedida para o Afronte, Tiina conta sobre o início de sua carreira, relata a inspiração em que suas obras são baseadas e garante não estar preocupada em passar algum tipo de mensagem específica para os espectadores. Para ela, suas pinturas seguem seu próprio rumo.

Afronte: Como sua carreira teve início?

Tiina: Eu me formei na Academia de Belas Artes,na Finlândia em 2001. Desde então, tenho pintado o tempo todo. Primeiramente em casa, na sala de estar, porque eu não podia pagar por um estudo. No começo, também tive que ensinar muitas coisas para ganhar a vida, mas a cerca  de 10 anos eu tenho sido capaz de me concentrar quase que exclusivamente na pintura. Eu tive sorte de ter exposições também no exterior, já que galerias de arte aqui na Finlândia não são tão comuns.

Afronte: Em que você se baseou para a construção de seus quadros?

Tiina: Recebo inspiração de todos os lugares: em filmes, fotografias, roupas novas, natureza, ambientes diferentes, mas, antes de tudo, é a própria pintura, as cores, os materiais de pintura e o ato de pintar que me excitam.

Afronte: Como você definiria seu trabalho?

Tiina: Minhas pinturas são histórias. São histórias sobre  o processo de pintura e temas das pinturas. Se consideradas individualmente, elas são fragmentos separados, mas unidas, elas se tornam séries cujos elementos se encaixam em um contínuo temporal ou uma temática.

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Afronte: Por que seus quadros transmitem um “ambiente sombrio”?

Tiina: Isso é verdade. Mesmo se eu tentasse, por vezes, criar algo leve e aconchegante, eles sempre parecem ir para o caminho contrário. Pode ter algo (ou, na verdade, muito para se pensar sobre isso) a ver com meu amor por thrillers e tragédias, que eu acho muito mais interessantes do que finais felizes. No meu trabalho eu também lido com os medos e sentimentos ambíguos, coisas que me incomodam ou que eu acho emocionantes e, ao mesmo tempo, repulsivas e atraente.

Afronte: A maioria dos personagens de suas pinturas são meninas ou mulheres. Por que a preferência pelo gênero feminino?

Tiina: Eu sou uma mulher e essa é a minha perspectiva de vida.

Afronte: Além de mulheres, as crianças também são temas frequentes em seus trabalhos. Por quê?

Tiina: Elas só aparecem em minhas pinturas de tempos em tempos. Muitas vezes eu começo a pintar a figura da mulher, mas, durante o processo de trabalho, ela se transforma em uma criança. A infância é uma parte tão importante de todos nós, que nunca desaparece, mesmo como adultos que parecemos ser, as memórias continuam surgindo.

Afronte: De todas as suas obras, qual é a sua preferida? E qual delas obteve mais sucesso de público?

Tiina: Se sou obrigada a citar uma,  acho que no momento citaria a única da série The Pond. Uma das mais bem sucedidas pode ser a série Patent Shoes, que talvez contenha a maioria dos elementos que as pessoas acham atraentes em minhas pinturas.

Tiina Heiska 2The Pond

Tiina Heiska 3Patent Shoes

Afronte:  Suas obras são misteriosas e interessantes. Como você vê suas pinturas afetando as pessoas?

Tiina: De várias maneiras, devo dizer. Claro que a maioria das coisas que eles me dizem são positivas, alguns contam que ficaram até mesmo em transe com elas. Mas, de vez em quando, há pessoas que ficam chateadas com minhas pinturas. A mesma pintura pode resultar em uma  interpretação muito diferente devido à própria experiência do espectador e perspectiva para a vida e a arte, eu acho.

Afronte: Há então alguma mensagem que você gostaria de enviar para as pessoas que se relacionam com o seu trabalho?

Tiina: Eu realmente não tenho nenhuma mensagem para enviar. Eu pinto o que eu acho interessante, e se outras pessoas podem se relacionar com ela (a pintura), eu fico feliz. Se não, eu não posso ajudá-las. Deixo minhas pinturas seguirem seu próprio caminho, que é como a pintura costuma ser interessante e sempre surpreendente para mim.

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Em seu site oficial, Tiina expõe suas criações em várias galerias que, acompanhadas de frases ou textos, narram o que pode ser o significado das figuras. Para conhecer mais o trabalho da pintora, acesse seu site.

Viciada em música, séries e novelas, anda sempre acompanhada de um livro. Não se vê fazendo outra atividade além de escrever, escrever e escrever. Bem, talvez faça malabarismo por tentar executar 500 tarefas ao mesmo tempo. É apaixonada pelos anos 80, principalmente pelos filmes e músicas, menos as roupas, é claro.

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