Arte da Terra – as ilustrações orgânicas de Jhon Bermond

Por em quarta-feira, 20 julho 2016
jhon-bermond

Vez por outra, esbarramos em artistas que nos fazem admirar seu trabalho com mais calma. São tantas referências, significados e valores por trás dessas criações que não podemos passar batido por elas. É o caso da arte de Jhon Bermond.

Capixaba, mudou-se para o Rio de Janeiro aos dez anos, e, já mais velho, empreendeu diversas viagens pelos interiores do Brasil.

Sem formação acadêmica em Artes, Jhon revela que ela “simplesmente surgiu em minha vida e, com o passar do tempo, experiências e dedicação, mais aprendo e me apaixono pelas formas, traços e cores”.

A inspiração paras as telas e desenhos vem da natureza, misturada com sentimentos, sonhos e uma boa dose de intuição do artista.

Jhon Bermond - Céu CapixabaCéu Capixaba

Entusiasta da permacultura – sistema de design que cria ambientes humanos sustentáveis e produtivos, em harmonia com a natureza –, Jhon acredita que a bioconstrução e as pinturas naturais são conexões ancestrais que ativam a criatividade, “de modo que possamos trabalhar com, e não contra a natureza”.  Bermond ministra oficinas de desenho e pintura por todo o país (sempre utilizando tintas naturais), além de trabalhar em projetos de decoração de ambientes, artesanato e customização de objetos.

Mais recentemente, suas ilustrações passaram a vir acompanhadas de pequenos textos. Sejam poesias (próprias ou de outros autores), relatos pessoais, trechos de músicas ou cantigas populares, a dimensão textual amplia as possibilidades de cada obra, além de fornecer referências sobre o local, lenda, personagem ou costume retratado.

Sob o lema de “Cuidado com a Terra, Cuidado com as Pessoas”, a arte de Jhon revela tanto particularidades e riquezas de diferentes localidades nacionais (como nas peças Ibitipoca e Poti) quanto cenários que dizem respeito ao atrito na relação homem-natureza (como na peça Esperança Doce). As obras contam pequenas histórias e vale a pena acessar o site oficial do artista para lê-las na íntegra:

Vale do Ruah

Jhon Bermond - Vale do Ruah

Na Mantiqueira, há um vale onde tudo começa (ou recomeça). A nascente do Rio Verde, bem ali, é um começo, por exemplo. Ele sacia a sede dos montanhistas que fazem a exuberante e desafiadora Travessia da Serra Fina, onde quase não há água.

Ruah em hebraico significa sopro da vida, vento, espírito. Aqui também surgem os ventos, que agitam nossas barracas de camping no início da noite. Acampar a 2025 metros no inverno é congelante. O termômetro fica negativo com facilidade em campos de altitude.

Nessa época do ano, a atmosfera limpa faz com que possamos ver no céu algo além de estrelas cadentes e outros corpos celestes. Nebulosas a olho nu.

As estrelas formam linhas que mexem com a nossa imaginação. Fico um tempão observando, mas o frio é intenso. Melhor voltar para dentro do saco de dormir.

Para que 5 estrelas, se temos milhões aqui?

Confira outras obras de Jhon Bermond:

Jhon Bermond - IbitipocaIbitipoca

Jhon Bermond - SaciSaci

Jhon Bermond - SilêncioSilêncio

Jhon Bermond - Esperança DoceEsperança Doce

Jhon Bermond - O Calado Bugio da IlhaO Calado Bugio da Ilha

Jhon Bermond - Beira MarBeira Mar

Jhon Bermond - VitalinoVitalino

Jhon Bermond - Amor de OnçaAmor de Onça

Jhon Bermond - PotiPoti

Jhon Bermond - CaparaóCaparaó

Jhon Bermond - O SagradoO Sagrado

Jhon Bermond - CatimbauCatimbau

Para mais trabalhos do artista, acesse sua página ou seu Instragam.

Redatora publicitária, adora qualquer coisa que gere um bom papo. Uma vez, leu que “virar adulto é perder poesia”, e desde então se recusa a deixar de ser criança de vez em quando. Já participou de algumas antologias e escreveu o livro infantil “O Mirabolante Doutor Rocambole”. Amante incondicional de sorvete de pistache.

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