Análise – Zero Escape: Zero Time Dilemma

Por em sexta-feira, 16 setembro 2016
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Todos sabemos o quanto é difícil uma continuação superar o trabalho anterior. Os casos em que isso ocorre não são muitos, seja em qual mídia for. Zero Escape: Zero Time Dilemma chega para entrar nessa estatística de continuações que não superam seus predecessores.

“Zero Time Dilemma” é a terceira história na série de romances visuais Zero Escape. ZTD foi lançado para PC (Steam), Nitendo 3DS e PlayStation Vita. Desta vez, o jogo muda o rumo, e adora uma roupagem mais Adventure, chegando mais perto dos jogos da Telltale (“The Walking Dead”), e se afastando de suas raízes novelísticas. Essa mudança provavelmente se deu ao fato de que a série Zero Escape não estava vendendo muito bem no Japão.

Em 2014, o roteirista da série lamentou no Twitter que o terceiro game estava no limbo de desenvolvimento e não estava sendo trabalhado no momento. Graças a uma fervorosa campanha dos fãs, o jogo acabou saindo sim, mas, com algumas diferenças na fórmula já conhecida, provavelmente para atingir um público maior do que o nicho de Visual Novels.

Aspectos técnicos

Análise – Zero Escape: Zero Time Dilemma

A mudança mais notável é o ângulo da câmera. Os dois jogos anteriores usavam uma câmera em primeira pessoa, na perspectiva do personagem principal. Ao fundo, um cenário pré-desenhado, e no centro, o personagem (ou personagens) que estão tendo alguma fala. Em ZTD, todos os personagens e cenários são totalmente 3D. A qualidade dos modelos deixa um pouco a desejar, mas é algo compreensível, já que o jogo precisa se manter dentro de um limite de polígonos para a sua versão de 3DS. Entretanto, a animação deste modelos é algo que causa bastante estranheza. Todos parecem fantoches movimentados por um ventríloquo amador, e isso quebra um pouco da imersão.

O jogo possui duas opções de dublagem: inglês e japonês. Apesar da dublagem estar boa, a falta de sincronia labial é notável na versão americana do áudio.

O enredo

Análise – Zero Escape: Zero Time Dilemma

Mas se você está aqui, provavelmente é pelo enredo, não é mesmo? Continuando de onde o Virtue’s Last Reward parou, o enredo se passa no meio do deserto de Nevada. Um grupo de pessoas participa de um experimento de isolamento, afim de coletar dados de pesquisa para uma missão espacial, mas, o experimento é interrompido e o grupo de nove pessoas é sequestrado por um novo vilão mascarado com o familiar nome de Zero.

O grupo é forçado a participar de um jogo: o Jogo da Decisão. As nove pessoas são separadas em três grupos de três pessoas cada, e forçadas a participarem do plano de Zero. Nele, os grupos se encontrarão em situações de vida e morte, situações essas muito mais sangrentas e explícitas do que em Virtue’s Last Reward.

Aprofundando um pouco mais no enredo, ZTD mais parece um passo atrás do roteiro bem amarrado de VLR. O game anterior nos deixou com perguntas que o ZTD supostamente responderia, mas simplesmente foram deixadas de lado, sem ao menos fazer nenhuma menção.

Conclusão

Análise – Zero Escape: Zero Time Dilemma

Ao terminar o jogo, é bem difícil não pensar: “Ué, é só isso?” Em resposta aos pontos de enredos que não foram revisitados e à possível pontinha que pode ou não levar a uma continuação da história.

Infelizmente, Zero Time Dilemma é uma conclusão que deixa um gosto amargo na boca, mesmo após 2 anos de espera, desde que tivemos notícia de que ele poderia nem ao menos existir. Mesmo com todos os pontos baixos, ZTD ainda é um bom jogo, que garante momentos de tensão e muitos frios na barriga, se isso é o que você está procurando.

Estudante de publicidade e aspirante a algo que ele ainda não se decidiu. Amante de games desde criança, não entende o porquê de se dirigir a si mesmo na terceira pessoa em frases de perfil.

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