“13 Reasons Why” e o Efeito Borboleta

Por em sexta-feira, 7 abril 2017
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Para os fãs da sétima arte, não é novidade o uso do chamado “efeito borboleta” nas construções narrativas. Pra quem não conhece, o efeito diz: “uma borboleta, do outro lado do mundo, pode causar um tornado, se bater as asas no lugar certo, na velocidade certa e no momento certo”. The Butterfly Effect, filme com Ashton Kutcher e Amy Smart de 2004, com a famosa cena final ao som de “Stop Crying Your Heart Out” da banda Oasis, nos mostra todas as consequências e os “se”s que o personagem principal passa até conseguir a vida que ele julga mais justa, mais correta. Nossa personagem, Hannah Baker, não teve a mesma chance.

13 Reasons Why

Jay Asher, autor de “Os 13 Porquês”, une-se à cantora Selena Gomez (como produtora executiva) para trazer à tela o que as páginas melancólicas de Asher já nos diziam desde a sua publicação. Hannah é uma adolescente como todas as outras, que acabara de se mudar para uma cidade e escola novas, e como tal, ela só quer uma coisa: encontrar seu espaço no mundo. E é justamente isso que as pessoas mais próximas a negam. E pra Hannah é o começo do fim.

A história de 13 Reasons Why começa com o suicídio de Hannah e acompanhamos a sua história através de flashbacks e, principalmente, pela perspectiva de Clay Jensen, o garoto por quem ela era apaixonada, mas nem assim a fez reconsiderar sua decisão. Antes de morrer, Hannah gravou 7 fitas cassetes contando as 13 razões pelas quais a vida dela chegou tão ao fundo do poço. A única regra é que quando a pessoa acabar de ouvir as fitas, elas devem ser passadas adiante para o próximo da lista, até que todos que foram porquês nessa decisão tenham escutado. Clay é um dos últimos, então a narrativa é toda baseada em cima das suas reações ao passo que ele ouve fita a fita.

13 Reasons Why

“Eu comecei as fitas com Justin e Jessica, que quebraram meu coração. Alex, Tyler, Courtney e Marcus, que ajudaram a destruir a minha reputação. Passando por Zach e Ryan, que ambos quebraram meu espírito. Até a fita 12, Bryce Walker, que quebrou minha alma”.

Bullying, machismo, ensino médio, angústia, futuro, amizades, relacionamentos. Mesmo com o tom sombrio de um suicídio, “13 Reasons Why” poderia ser mais uma série adolescente que conta a história de um casal pelos corredores da escola. Errado. As atuações aqui são bem profundas, diretas, com nuances que nos põe em dúvida se somos contra ou ficamos com pena desses personagens que são do jeito que são porque a vida aconteceu com eles. Passamos a conhecer suas histórias e entendemos o quão complexo o ensino médio pode ser. E é. Definimos nossas histórias e nossas personalidades ali e por isso são os anos mais importantes.

“Vocês não sabem o que estava passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser a de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo… é afetado.”

13 Reasons Why

“13 Reasons Why” chegou à plataforma Netflix na última sexta-feira, 31 de março, com 13 episódios, cada um dedicado aos treze motivos. Dylan Minnette e Katherine Langford encaram os personagens principais, Clay e Hannah. Com um elenco desconhecido do grande público, destaque para as atuações de Alisha Boe (“Jessica”), Brandon Flynn (“Justin”), Miles Heizer (“Alex”), Justin Prentice (“Bryce”), Ajiona Alexus (“Sheri”) e Michele Selene Ang (“Courtney”). Menção honrosa pelas atuações perfeitas e delicadas a Kate Walsh (“Private Practice” e “Grey’s Anatomy”) e Brian d’Arcy James (“Titanic” e “Hamilton”) como os pais de Hannah.

#NãoSejaUmPorquê

PS: Hannah tinha esperanças ainda, e uma última vez, ela foi ignorada. Para ela, a dor era maior que a espera de um amanhã melhor. Esse que vos fala tem um pedido a quem está lendo e se sente no mesmo espaço que Hannah: não desista. O amanhã é um mundo de possibilidades que estão a nossa espera. Sempre haverá pelo menos uma pessoa nesse mundo que irá estar sempre ali por você. Não desista.

jornalista por vocação, professor de inglês por amor, apaixonado por música, cinema e tv, tem um leve vício por tic tac de laranja e alcaçus, tem um signo que sempre acerta a previsão do dia e só escreveria em letras minúsculas se pudesse.

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